
Após afetar cerca de um terço da população, o nível do Rio Iguaçu está diminuindo e reduzindo o alagamento em União da Vitória, no sul do Paraná. Saiba mais abaixo.
Imagens áreas feitas nos mesmos locais pela RPC no dia 30 de outubro e nesta terça-feira (21) mostram os reflexos da enchente. Nos pontos em que a água recuou totalmente, sujeira e entulhos se acumulam nas ruas e imóveis que ficaram debaixo d'água. Veja vídeo acima.
Segundo a prefeitura, ainda não há como mensurar a quantidade de entulhos decorrentes da enchente, "porque como o rio ainda está baixando, a cada dia aumenta a quantidade nas ruas".
"O recolhimento dos entulhos não é um problema que será resolvido do dia para a noite. É muito entulho, e as equipes da Manutenção e Obras estão trabalhando diuturnamente para resolver esse problema o mais rápido possível", informa o Município.
Terceira maior enchente da história
Nos últimos 40 anos, as cheias do Rio Iguaçu provocaram pelo menos quatro grandes enchentes na cidade de União da Vitória: em 1983, 1992, 2014 e, agora, em 2023 - a terceira pior delas.
De acordo com dados da Defesa Civil, desde o dia 8 de outubro de 2023 cerca de 18 mil moradores de União da Vitória foram afetados pelas fortes chuvas. O número equivale a praticamente um terço do total da população da cidade, que tem 55 mil habitantes segundo o Censo 2022.
Mais de 8,5 mil pessoas tiveram que deixar as próprias residências em algum momento.
Nesta terça-feira (21) pelo 963 pessoas permanecem desabrigadas, dependendo de abrigos públicos, segundo a prefeitura municipal.
O nível normal do rio na cidade é de 2,5 metros.
No momento mais crítico da inundação, chegou a 8,38 metros no dia 20 de outubro. Às 11h desta terça-feira (21), a medição oficial indica que o nível do Rio Iguaçu está em 5,627 metros em União da Vitória. Os dados são do monitoramento Hidrológico da Copel. Veja mapa comparativo abaixo.
Além das inundações, no mesmo período a cidade também foi atingida por vendavais. A força do vento chegou a derrubar um idoso que caminhava no meio da rua.
Aproximadamente 6,7 mil casas foram danificadas pelas tempestades com chuvas intensas e vendavais, segundo levantamento da prefeitura.
Menina mostra situação de casa ao voltar após mais de um mês desalojada
Beatriz Scorsin Ribeiro tem dez anos. Ela, o pai, a mãe, o irmão de cinco anos e cachorrinho Théo voltaram para casa em União da Vitória após passarem 33 dias desalojados. Em vídeo, a menina mostra como encontraram a residência.
"Além da sujeira no chão, tem bolor em todas as paredes até o teto, e lá fora as plantas estão todas podres", relata a criança.
A casa fica no bairro São Bernardo.
O pai de Beatriz, André Ribeiro, conta que a família saiu da residência no dia 13 de outubro, quando a água começou a invadir o imóvel, e voltou no dia 15 de novembro.
"O impacto ao ver tudo sujo, embolorado e com mau cheiro foi difícil! Mas a vontade de retomar a vida deste turbilhão de emoções é o que dá força para seguir em frente. [...] Agora com a situação voltando à normalidade gradativamente, o medo vai se transformando em esperança", afirma.
A família de Beatriz mora em União da Vitória desde 2017. O pai da menina conta que esta foi a primeira vez que eles passaram por uma situação como esta.
Nos 33 dias em que ficou fora de casa, a família contou com o apoio de amigos e familiares.
"Conseguimos ficar na casa de uma amiga. A empresa que trabalho me proporcionou realizar minhas atividades em home office, assim fomos para Irati, na casa do meu sogro, por uns dias e para Ponta Grossa, na casa de minha mãe. Com o rio baixando, retornamos para a casa de nossa amiga para iniciarmos a limpeza", lembra André Ribeiro.
Ele conta que conseguiu salvar os móveis da residência acomodando-os no segundo andar da casa, que não foi atingido pela enchente.
Agora, a vontade é mudar para outro bairro de União da Vitória que não sofra com alagamentos.
"Meus filhos ficaram muito assustados, passamos o Dia das Crianças [12 de outubro] todos em um quarto, verificando a cada hora se a água entraria em casa. Ontem fomos ver como estava a escola que ficou alagada (Clementina Lona Costa)... O cenário nas ruas é de devastação, móveis estragados pelas calçadas, lama, enfim, muita tristeza! [...] O fundamental é que estamos bem e com saúde, aos poucos tudo se normaliza e poderemos seguir a vida com muitas lições e aprendizados", avalia.
Informações: G1PR
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