Com investimento de R$ 9,5 milhões, Instituto de Medicina de Precisão do Paraná começa a ser construído na Unicentro

28/05/2026 16H44

Teve início a execução da obra do Instituto de Medicina de Precisão do Paraná (Impar) no Câmpus Cedeteg da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava. O projeto de biotecnologia e saúde contará com um edifício de 1.952 m², anunciado em agosto do ano passado, contemplando infraestrutura moderna. A iniciativa prevê o investimento de R$ 9,5 milhões provenientes do Fundo Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

O reitor da Unicentro, professor Fábio Hernandes, ressalta que a obra é importante não somente para a Universidade, que mostra o seu destaque por meio dos pesquisadores da área de saúde personalizada, mas também para o Estado. “O instituto vai promover ações que vão melhorar a vida das pessoas e reforçar o papel estratégico da nossa região na pesquisa científica. É uma satisfação estar dando início a esse edifício, e aproveitamos para agradecer a Seti e o Governo do Paraná por acreditarem no projeto”.

De acordo com o coordenador do Impar e professor do Departamento de Medicina da Unicentro, David Livingstone Figueiredo, o instituto estará integrado ao ecossistema Vale do Genoma, um polo tecnológico de inovações. Com localização estratégica, possibilitará a formação de profissionais de diferentes áreas.

“Estamos falando de uma nova infraestrutura científica para o Paraná. O Impar reunirá ambulatório clínico, laboratórios, pesquisadores, estudantes, médicos, profissionais da saúde e especialistas em dados com o objetivo de usar genômica e inteligência artificial para melhorar o cuidado das pessoas e fortalecer o Sistema Único de Saúde”

Uso inteligente de dados em saúde
O professor David destaca que o Impar será estruturado como uma plataforma integrada de medicina de precisão, reunindo genômica, inteligência artificial, biotecnologia, bioinformática e ciência de dados em saúde. Nesse contexto, iniciativas como o projeto Sabiá (Saúde Avançada com Big Data e Inteligência Artificial), financiado pela Fundação Araucária, terão papel estratégico, permitindo a integração de bases de dados clínicos, epidemiológicos, genômicos e populacionais.

Segundo David, a medicina de precisão depende da convergência entre duas áreas: a genômica, capaz de revelar a variabilidade biológica individual e populacional, e a inteligência artificial, que consegue organizar, interpretar e transformar grandes volumes de dados em informação útil para a tomada de decisão em saúde. “Não há medicina de precisão sem genômica, mas também não há medicina de precisão moderna sem IA. A genômica nos permite compreender melhor a singularidade biológica de cada pessoa e população. A inteligência artificial, por sua vez, permite integrar dados complexos, identificar padrões, apoiar decisões clínicas e gerar evidências para políticas públicas. O Impar nasce dessa convergência entre biologia, dados, tecnologia e cuidado em saúde”, afirma o coordenador. 

O pesquisador acrescenta que o Sabiá será uma das bases tecnológicas dessa estratégia, ao possibilitar a construção de um ambiente robusto para organização, análise e uso inteligente de dados. “A proposta é que o instituto contribua para transformar dados dispersos em conhecimento aplicável, apoiando diagnósticos mais precisos, prevenção de doenças, estratificação de riscos, acompanhamento populacional e planejamento de ações no SUS. Estamos falando de uma nova infraestrutura científica para o Paraná. 

O Impar reunirá ambulatório clínico, laboratórios, pesquisadores, estudantes, médicos, profissionais da saúde e especialistas em dados com o objetivo de usar genômica e inteligência artificial para melhorar o cuidado das pessoas e fortalecer o Sistema Único de Saúde”, completa David.

O moderno edifício do Impar contará com três pavimentos e 1.952 m².
Infraestrutura adequada às necessidades
Conforme o diretor de Engenharia e Arquitetura da Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan) da Unicentro, Luis Carlos Ratuchne, a nova estrutura terá três pavimentos. A empresa responsável pela execução da obra tem o prazo contratual de novembro de 2027 para a conclusão da obra.

“O projeto de engenharia prevê uma infraestrutura planejada para garantir resistência, estabilidade e durabilidade ao prédio. A escolha dos materiais busca atender diretamente às necessidades específicas de cada setor”, conta Luis. O diretor exemplifica que as salas comuns receberão piso em porcelanato retificado, enquanto as áreas técnicas que exigem controle de eletricidade estática contarão com piso vinílico condutivo em manta, uma especificação recomendada para laboratórios sensíveis.

A arquitetura do edifício também prioriza a entrada de iluminação natural, o acabamento contemporâneo e o atendimento integral aos parâmetros de acessibilidade determinados pela norma NBR 9050. “Para garantir o deslocamento adequado de pacientes e materiais, a estrutura terá um elevador adaptado do tipo maca hospitalar”, revela.

A distribuição interna dos ambientes foi desenhada de forma a abrigar desde os setores administrativos até os complexos médicos da instituição. De acordo com o planejamento técnico, o espaço vai comportar áreas de recepção, atendimento ao público, salas de estudo e escritórios para pesquisadores e diretoria. “A ala laboratorial será equipada para atividades de análises clínicas, cultivo celular, sequenciamento genético e extração de amostras, cumprindo as metas estratégicas do Impar”, finaliza o diretor.


Por Scheyla Horst

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