Iniciação científica propõe alternativa sustentável para tratamento de resíduos líquidos de indústrias têxteis

30/06/2026 16H30


Alinhada à agenda global da Organização das Nações Unidas (ONU), a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) promove, em seus laboratórios, iniciativas estratégicas voltadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

O impacto de uma única investigação científica pode atravessar diferentes metas da Agenda 2030, fortalecendo discussões e entregando resultados práticos sobre temas como saneamento, cidades resilientes, produção sustentável e a proteção da biodiversidade terrestre e aquática.

As atividades acontecem da iniciação científica à pós-graduação. Nesse sentido, com a liderança da professora Isis Kaminski Caetano, do Departamento de Química do Câmpus Cedeteg, uma solução econômica e sustentável ganhou forma. A pesquisadora orientou voluntários da iniciação científica – três estudantes de graduação (Emanuele Costa, Sara Cebulski e João Francisco Ramos Ribeiro Neto) e dois alunos do ensino médio (IC Jr – Maria Eduarda Cordova Camargo e Drayton Kauan Ferreira) – com um objetivo: limpar amostras de águas tingidas por corantes que são comuns na indústria têxtil a partir de uma alternativa de baixo custo e sustentável. 

Após uma série de testes, o grupo encontrou no húmus, um adubo orgânico gerado a partir da compostagem do esterco de ovelhas, uma interessante matéria-prima para remover corantes de efluentes. Por isso, mais do que um experimento químico, o estudo foca na saúde dos rios, buscando apontar caminhos para resíduos industriais que, se descartados sem o devido tratamento, podem degradar a vida aquática e terrestre.

Pesquisa da professora Isis Kaminski busca alternativas mais econômicas para tratamento de resíduos industriais.
“As indústrias têxteis produzem muitos resíduos com corantes que precisam de tratamento rigoroso para não causar a morte de peixes e a degradação dos rios. Ao mesmo tempo, no campo, o esterco de ovelhas precisa de compostagem para também não virar um poluente.

O estudo de adsorção cruzou esses dois problemas para criar uma saída: usamos o húmus para retirar o corante da água. Analisamos fatores como o tempo de adsorção e as condições do resíduo para garantir que a água saísse sem corante ao final do processo”, conta a docente. 

Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram o húmus, um adubo orgânico vindo da compostagem do esterco de ovelhas. Esse material, produzido externamente e levado aos laboratórios, provou ser eficiente não apenas para nutrir o solo, mas também para filtrar águas sujas de indústrias. A solução é amiga do meio ambiente: ao incentivar o uso de adubos orgânicos, a pesquisa se alinha ao combate ao aquecimento global. Isso porque o processo de compostagem bem-feito evita que resíduos orgânicos descartados no ambiente liberem gases de efeito estufa, responsáveis por intensificar esse fenômeno.

Resultados promissores

Os resultados desta pesquisa foram promissores. O húmus demonstrou alta eficiência na remoção de corantes, atingindo 97% de descoloração em amostras altamente concentradas e 100% em amostras menos concentradas. A pesquisa também analisou as condições ideais para o tratamento, como pH, tamanho de partícula, mecanismo de interação entre o húmus e o corante, influência da temperatura e presença de sais dissolvidos. 

A professora Isis destaca a importância desta pesquisa em buscar alternativas mais econômicas para o tratamento de resíduos industriais. “A universidade tem a missão de oferecer soluções para problemas ambientais. O uso do húmus, um produto de baixo valor, torna o tratamento mais acessível para as indústrias”, explica.

Pesquisas futuras

A investigação da área de físico-química utilizou diferentes laboratórios e equipamentos, em colaboração com outros pesquisadores da Universidade. “Destaco, em especial, a professora Dra. Sueli Pércio Quináia pelo apoio”, ressalta. Atualmente, a professora Isis está realizando seu segundo pós-doutoramento, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná de Campo Mourão, no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Alimentos, com supervisão da professora Dra. Patrícia Valderrama.

Este projeto inclui matemática e estatística aplicada à química, que é um dos ramos da inteligência artificial, com a finalidade de possibilitar o uso de imagens na análise de solo. A investigação inclui a proposta de plantio de alface em solos tratados com adubo orgânico para verificar se as alfaces roxas produzidas apresentam maior teor de antioxidantes. Esses compostos são valorizados por suas propriedades anti-inflamatórias e no combate ao envelhecimento causado por radicais livres.

Por Scheyla Horst

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