
Você sabe a diferença entre “energia carbono zero” e “energia zero carbono”? Enquanto a primeira concepção geralmente trata da mitigação de gases de efeito estufa, como o gás carbônico, compensando danos, a segunda perspectiva busca garantir a geração de energia sem produção de qualquer resíduo de carbono. Está entre as metas internacionais para limitar o aquecimento global o investimento na transição energética, com foco em energias renováveis e limpas, que não emitem poluentes.
Nesse sentido, instituições de ensino e pesquisa do Paraná unem esforços para contribuir, por meio da ciência, com as discussões sobre inovação nesta área. O objetivo é criar soluções para a utilização de energias inteligentes e desenvolver novas tecnologias, realizando pesquisas em formas de conversão energética sem a geração de carbono. A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) faz parte deste movimento.
O professor Valdirlei Freitas, do Departamento de Física e do Programa de Pós-Graduação em Nanociências e Biociências (PPGNB) do Câmpus Cedeteg da Unicentro, atua como coordenador local do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Energia Zero Carbono (Napi EZC) na universidade. Ele compõe o Comitê Gestor e a Divisão de Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo do grupo, que conta com financiamento da Fundação Araucária.
A iniciativa estabelece parcerias com outras universidades e empresas para facilitar a transferência de tecnologia e estimular a inovação. Segundo o docente, a ideia da rede é transformar pesquisadores que atuavam na mesma linha em parceiros, superando a lógica de concorrência em editais de fomento. O grupo trabalha com tecnologias específicas, como a eletrocalórica e a fotovoltaica, sendo esta última o principal foco da equipe.
Energia fotovoltaica
No campo da energia fotovoltaica, que é o centro de atenção do grupo na Unicentro, as investigações permitem mensurar o volume de energia solar absorvido e convertido em eletricidade. O professor ressalta que, embora a área de painéis solares não seja recente, ainda há muito espaço para crescimento, visto que os modelos comerciais operam com eficiência entre 20% e 25%.
“Uma das nossas frentes de trabalho busca sintetizar tecnologias existentes para garantir o domínio nacional sobre elas, além do desenvolvimento de novos materiais, como os de estrutura Perovskita, que possuem conformação cristalina”, comenta o docente. “Nós conseguimos realizar em nosso laboratório toda a cadeia, desde a síntese até a caracterização final”.
Do ensino fundamental à indústria
As ações da rede colaborativa, que tem como coordenador-geral o professor Ivair Santos, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), abrangem desde o ensino fundamental, com divulgação científica e produção de materiais didáticos, até a inserção de pesquisadores no setor industrial.
Até o momento, 10 startups foram criadas no estado a partir do Napi EZC. “Em nosso site publicamos os produtos desenvolvidos, como livros, artigos científicos e outros materiais. Temos como meta treinar um agente de inteligência artificial com as informações disponibilizadas para que essa ferramenta facilite ainda mais a busca por dados confiáveis obtidos em nossas pesquisas”, explica Valdirlei.
Na Unicentro, os professores do Departamento de Física Ricardo Yoshimitsu Miyahara, Taiana Gabriela Bonadio e Tânia Toyomi Tominaga também integram o arranjo, conduzindo pesquisas no Grupo de Pesquisa de Física Aplicada a Materiais (GFAMa) e no Laboratório de Caracterização de Materiais. Os estudos envolvem aplicações em fotovoltaicos ferroelétricos, biocerâmicas e materiais multifuncionais magnetoelétricos.
O investimento da Fundação Araucária no primeiro ciclo do Napi EZC na Unicentro foi de R$571 mil, aplicados majoritariamente no custeio de bolsas de estudo para pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento e níveis, como iniciação científica, mestrado e doutorado. Em todo o arranjo estadual o investimento chega a R$ 2,4 milhões. Além da atuação articulada no Paraná, os pesquisadores participam do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia (INCT) de Materiais Ferróicos para Conversores de Energia, que é uma rede de nível nacional.
Essas frentes de pesquisa contribuem para diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, incluindo a oferta de energia limpa, o estímulo à inovação industrial e o fortalecimento de ações contra a mudança climática global.
Saiba mais sobre o Napi Zero Carbono. Nas suas mídias sociais, o Napi EZC promove letramento científico. Conheça o GFAMa.
Por Scheyla Horst
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