Voluntário que ajudou vítimas de tornado no Paraná perde a própria casa para o mesmo fenômeno nove meses depois

11/08/2026 14H42


Quando a cidade de Rio Bonito do Iguaçu foi 90% destruída por um tornado em novembro de 2025, o paranaense Leandro Ferreira Lúcio decidiu ajudar as vítimas como voluntário. Nove meses depois, foi a cidade dele, Piraí do Sul, que fica a cerca de 350 km, que registrou o fenômeno — e o homem passou pela mesma dor de quem ajudou, tendo não só uma, mas duas casas totalmente destruídas.

Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, Leandro contou que estava construindo uma nova casa para a família e a obra estava quase pronta quando os ventos, que passaram de 200 km/h no sábado (8), levaram tudo abaixo. Tanto a casa antiga em que ele estava morando, quanto a nova para a qual estava prestes a se mudar foram destruídas.

Pouca coisa sobrou; os eletrodomésticos e as estruturas das duas residências foram perdidos. Enquanto decidem o que e como fazer, Leandro e a família estão abrigados na casa de parentes.

"Eu já tinha visto [os estragos de um tornado]. A hora que eu cheguei lá [em Rio Bonito do Iguaçu]eu passei a dor das pessoas de lá, e agora eu estou passando aqui. [...] Da mesma maneira que eu ajudei aquelas pessoas, hoje eu preciso dessa ajuda... Vai ter que ser tudo do zero", comentou.

Apesar de tudo, Leandro é grato pela família ter se mantido segura. Ele conta que eles não estavam em casa quando o tornado passou pelo local — e isso, graças a um atraso de 15 minutos.

A família tinha saído para fazer compras e acabou passando em outro lugar antes de ir para casa. Foi nesse meio tempo que tudo aconteceu.
"Quando chegamos lá, já não tinha mais nada. Estava tudo caído, tudo moído. [...] A gente desceu do carro e fomos correndo pé, quando chegamos lá estavam só os pedaços, tudo tinha sido levado. Foi tudo embora", lembra.

Tornado em Piraí do Sul

Depois do tornado, hora de recomeçar
Depois do tornado, hora de recomeçar
O tornado que passou no sábado (8) por Piraí do Sul, na região dos Campos Gerais, arrancou árvores pela raiz e destruiu casas de moradores da área rural. Produtores rurais ainda registraram prejuízos em barracões, granjas e locais destinados à criação de animais.

A Defesa Civil do Paraná estima que cerca de 530 pessoas foram afetadas e pelo menos uma ficou ferida. Entre as áreas mais atingidas estão os bairros Santo André, Boa Vista, Jararaca, Fundão e Capinzal.

Ainda de acordo com o órgão, pelo menos 45 casas foram danificadas e 6 ficaram completamente destruídas. O fenômeno meteorológico resultou em pelo menos 35 pessoas desalojadas, que foram acolhidas em casas de parentes.

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental (Simepar) está analisando o tornado para entender a qual velocidade os ventos chegaram e qual foi a intensidade do fenômeno. Segundo o órgão, a primeira análise aponta que os ventos passaram de 200 km/h.

"As frentes de trabalho concentram esforços no atendimento humanitário imediato, realizando a entrega de água potável, mantimentos e lonas para a cobertura temporária dos imóveis atingidos. Equipes de manutenção também atuam para o restabelecimento do fornecimento de energia elétrica nas áreas rurais", diz a prefeitura.

Outras tempestades no Paraná

A Defesa Civil do Paraná ressalta que instabilidades associadas a vendavais e queda de granizo também provocaram danos em outras localidades do estado, como nas cidades de Candói (10 residências afetadas), Sapopema (26 residências afetadas), Guarapuava (5 residências afetadas), Jaguariaíva (2 residências afetadas) e Rio Branco do Sul (2 residências afetadas).

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